28.11.03

Homem a Dias


Desde que o Homem a Dias considerou este blogue como blogue do mês que este modesto Caso Arrumado passou a ter mais visitas diárias do que as habituais visitas de familiares e amigos. Não podia deixar de agradecer. Em primeiro lugar por ter sido agraciado com o título de blogue do mês, o que é uma honra, vindo de um dos blogues que mais me habituei a ler nos últimos meses. Em segundo lugar pela porta que abriu para este blogue. Então não é que ando pelas 50 page views diárias? Já me posso considerar o Llansol da blogosfera (em número de leituras, evidentemente). Espero ansiosamente passar sucessivamente às fases Eduardo Brum, Pedro Paixão, António Lobo Antunes, Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada, José Saramago e Margarida Rebelo Pinto. Pensando bem, não me importava de ficar na fase Pedro Paixão ou Lobo Antunes...

Moderna Montanha


No Blogue de Esquerda (II) diz-se a propósito do Caso Moderna que " A montanha pariu um rato (...). Fica a sensação de que ficou quase tudo por fazer: pessoas por incriminar, crimes por investigar, teias por esclarecer, cumplicidades, conluios e tanto mais que me fenecem as palavras (...). Resta uma dúvida: será que os réus condenados, ainda que agraciados com penas suspensas, podem ser considerados criminosos? Ou ainda gozam da presunção de inocência?".

Só pode dizer isto quem teve um acesso muito directo ao processo, pelo simples facto que o que veio relatado nos jornais foi quase nada. Os jornais não relataram nem 1/10 do que se investigou e do que se concluiu, pelo simples facto de que os jornais apenas se interessaram pelas partes em que os nomes de João Soares, Santana Lopes ou Paulo Portas foram citados. Daí que eu não tenha tanta certeza que ficou tanto por investigar.

Concordo que a montanha pariu um rato. Mas quem criou a montanha? Quem a fez tão alta e tão robusta? Foram os intervenientes no processo? Foram os juizes? Foram os arguidos? Quem criou uma montanha foram os meios de comunicação social porque lhes interessou ter uma montanha para escalar, e figuras políticas como Jorge Coelho (que chegou a falar em tráfico de armas e de carne branca) porque havia uma AD em formação que importava implodir.

O que actualmente acontece é que os meios de comunicação social, partindo de um punhado de factos (vamos presumir verdadeiros) se dedica à investigação por conta própria e sem ter que respeitar as regras constitucional e legalmente previstas. Em seguida, monta a história que mais lhe convém, juntando peças do puzzle como se elas se encaixassem, criando a sensação de escândalo. Depois, a justiça tem de entrar em funcionamento, investigando o assunto e levando o caso, se se justificar, a tribunal. Os juizes julgam o caso e descobrem que afinal não se trata de uma montanha, mas sim de um rato. Vai daí, os jornais lançam a suspeita de que a justiça não funcionou e que ficou gente por julgar e crimes por investigar.

Não sei porque acreditar mais nos meios de comunicação social que publicam as noticias como e quando mais lhes convém do que nos juizes que se vêem obrigados a aplicar a lei ao caso concreto. Porque será que são os jornalistas a ter razão e não os juizes? Não haverá a hipótese forte de tudo não ter passado de uma mera caixita de cartão em vez de uma caixa de pandora como pretenderam os meios de comunicação social, respeitados e não respeitados?

O que estes casos nos provam não é só que a justiça pode não estar a funcionar. Provam também que o exercício da liberdade de comunicação social também está a ser exercido de forma abusiva e incorrecta.

Católicos Progressistas


O Rui Branco dos Relativos anunciou o renascimento dos católicos progressistas, como se isso fosse sinónimo de algo relevante, quer no sentido da sua formação, que no sentido do seu corpo ideológico, quer ainda no que se refere ao seu objecto de contestação.

Foi sensivelmente no período do pós-guerra que alguns grupos da Acção Católica começaram a manifestar divergências com o regime de Salazar, tendo por isso mesmo sido apelidados de “católicos progressistas". Desde a Associação Católica Portuguesa e as suas estruturas autónomas, nomeadamente a Juventude Universitária Católica depois do seu I Congresso em Abril de 1953, às revistas Encontro e O Tempo e o Modo, passando pela Editora Moraes, surge todo um empenhamento dos católicos na vida política portuguesa, ainda que a expressão destes grupos se tenha ficado, quase sempre, pela actividade cultural e filosófica devido às limitações políticas existentes no Regime. A carta de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, a Salazar, no dia 13 de Julho de 1958, bem como toda a sua acção, alicerçada quer na doutrina social da Igreja, quer no seu trabalho pastoral, desempenharam um papel verdadeiramente dinamizador da consciência dos católicos que começavam divergir do regime.

Ao mesmo tempo, a Editora Moraes, sob a direcção de António Alçada Baptista e, um pouco mais tarde, a revista O Tempo e o Modo, também sob a primeira direcção de António Alçada Baptista, encarregaram-se de dar voz aos pensadores personalistas e democratas cristãos, propiciando um fórum de difusão de ideias onde se reuniram os nomes mais significativos da geração de católicos em oposição com o regime. Outros católicos, um pouco mais tarde, tentaram estabelecer uma via de compromisso, colaborando na medida do possível com o regime de Marcello Caetano, formando o chamado grupo dos tecnocratas , ou formando uma oposição parlamentar (Ala Liberal) . A Ala Liberal que, não sendo um grupo nem coeso nem organizado, conseguiu assumir um importante protagonismo de oposição ao regime. Também a Ala Liberal era profundamente influenciada pelos movimentos associativos dos católicos ditos progressistas , nomeadamente José Pedro Pinto Leite, o mais destacado dos deputados da Ala Liberal, muito ligado à revista O Tempo e o Modo e Francisco Sá Carneiro, católico fervoroso e muito ligado ao Bispo do Porto, de convicção política forjada em torno do pensamento de Emmanuel Mounier.

Deste movimento intelectual dos vários grupos de católicos quase nunca ganhou se caminhou para um movimento de contornos políticos, como reclamava o Bispo do Porto, à excepção da Ala Liberal. As convicções políticas destes católicos eram tão dispares que não poderia haver um entendimento claro na formação de uma alternativa política. Mesmo com o 25 de Abril, com a Igreja Católica a apelar ao voto em diferentes partidos para evitar o acantonamento dos católicos num só partido, os católicos progressistas tiveram um papel muito pouco interventivo. Como se adivinhava pela forma como (não) estavam organizados os católicos progressistas, não existiu, da parte destes, um êxodo maciço ou organizado para nenhum partido especifico. A maior parte optou pelo Partido Socialista ou pelo Partido Popular Democrático, mas outros houve que seguiram caminhos tão dispares como o Partido Comunista Português, o Movimento da Esquerda Socialista, o Partido do Centro Democrático e Social ou mesmo o Partido Popular Monárquico.

Daí que não perceba a exultação de Rui Branco com o suposto renascimento dos Católicos progressistas. Como se fosse um feito notável. Como se Guterres não tivesse sido a personificação do que significa um católico progressista na política. Ou como se o exemplo de Pintasilgo não fosse revelador do que pode ser um católico progressista se o deixarem à solta no Governo durante 100 dias.

Desculpas de mau pagador...


O Pedro Mexia reparou que Vital Moreira tinha uma estranha selectividade na utilização da palavra “terrorista”. Vital Moreira decidiu responder. Que não. Que não era assim. Acontece que na resposta de Vital Moreira não se lê em parte alguma (repito, em parte alguma), que existe terrorismo islâmico. Não diz. Não diz que há terrorismo por parte dos Iraquianos. Em lado algum. Em parte alguma. Termina apenas dizendo que os iraquianos são as vítimas da ocupação, desculpabilizando os actos de terrorismo que daí advêm.

A desculpa até é boa, mas funciona para os dois lados. Não sei, digo eu...

Inyan shel zman


Um relatório que se destinava a saber um pouco mais acerca do anti-semitismo chegou à conclusão de que grande parte dos ataques anti-semitas são da responsabilidade de grupos muçulmanos radicais. Vai daí, toca de arquivar o dito cujo. E vai dai, levanta-se o coro de protestos.

Não sei porque protestam. O relatório não diz nada de novo. Não sei para que se fazem relatórios destes. Ainda se o relatório dissesse que movimentos ditos civilizados estão por trás dos movimentos radicais muçulmanos, alimentando e incitando as suas acções, talvez tivéssemos algum dado novo ou interessante. Para além disso, se o relatório não tivesse sido arquivado, provavelmente saberíamos menos do que lá constava do que sabemos actualmente. A selectividade dos meios de comunicação social no que concerne a matérias como esta é por todos conhecida e não merece mais comentários.

A questão dos ataques anti-semitas provavelmente não se resolverá enquanto não partilharmos a questão. Só vivendo o dia-a-dia naquelas ruas se pode esquecer a lavagem diária de informação que nos chega. Era bom que fosse só uma questão de tempo, mas infelizmente não é...

26.11.03

Deve o Sr. Chirac entrar numa discoteca?


O Bruno respondeu ao meu post anterior sobre a política europeia de defesa no seu excelente Desesperada Esperança. Do que li parece que o Bruno se conforma com uma Europa indefesa perante os EUA. Ainda que actualmente esse contexto não me traga agonias de maior, não me posso conformar com essa expectativa. E penso aliás que o Bruno comete alguns equívocos, ou que pelo menos interpreto como tal.

O Bruno diz que qualquer medida que venha dessa entidade europeia nascerá com um grave défice democrático porque não existe uma efectiva cidadania europeia. Que não existe uma cidadania europeia estamos plenamente de acordo. Mas esta realidade não nos altera os dados do problema. Porque, em rigor, essa entidade europeia sempre teria que ser composta e sindicada pelos Estados Membros. Existiria, portanto, uma participação mínima de Portugal na tomada de decisões. Teríamos um défict democrático médio. No caso de ter a nossa política externa comandada pelos EUA, o défict democrático seria total porque Portugal influi zero na tomada de decisões da política externa norte-americana. Poder-se-ia dizer que apesar de tudo, se a nossa política externa fosse comandada pelos EUA tal se deveria a uma tomada de decisão consciente e soberana do Governo português. A questão é que eu não acredito que essa decisão fosse soberana. Essa decisão é tomada depois de analisadas as decisões soberanas dos vários governos europeus. Portanto, em termos de défict democrático, parece-me que teríamos a ganhar na constituição de uma entidade europeia de defesa.

Questão diferente é saber se existem actualmente condições para a constituição dessa entidade. Aí não hesito em dizer que não e em dizer que ainda vai demorar muito tempo até que existam essas condições. Mas isso não me faz recusar a ideia no plano dos princípios, porque no plano dos princípios está correcta. Porque, se assim não fosse, as objecções que o Bruno levantou também poderiam ser levantadas à NATO, ainda que de forma diferente e em diferentes graus. Daí que o meu post anterior tenho ido no sentido de achar que um dia o senhor Chirac poderia entrar numa discoteca.

25.11.03

Não Chirac! Ainda não tens idade para entrar em discotecas!


O Bruno deixou algumas reticências acerca da criação de uma entidade europeia de defesa comum. Se bem percebi, essas reticências são essencialmente:
1) Por detrás da ideia está a vontade da Europa se assumir como potência e, como tal, de se assumir como oposição aos EUA;
2) Os EUA têm funcionado como o guarda-chuva que nos protegeu enquanto fomos gastando os orçamentos europeus na qualidade de vida, o que inevitavelmente terá de acabar caso se avance para uma entidade europeia de defesa;
3) O propósito de criação dessa entidade não seria complementar a NATO, mas sim disputar a influência estratégica dos EUA, num tempo em que o que mais nos ameaça é o terrorismo;
4) A criação de uma entidade de defesa comum ia fomentar a existência de divergências entre países com liberdade de acção ao nível da política externa e de defesa, para passarem a constituir crises internas.

É um facto que o 11 de Setembro veio alterar de forma mais determinante que o desejável a nossa forma de conceber o Mundo. Infelizmente, muitos não souberam seguir pelo lado correcto e preferiram resguardar-se em construções teóricas e pífias que conduziram tão só e apenas à abertura de espaços livres ao terrorismo. Mas também é um facto que o Mundo continua depois do 11 de Setembro, e que a nossa posição relativamente a esta matéria não pode ser vista apenas e só à luz da actual conjuntura. Se assim fosse, e nesse caso subscreveríamos tudo o que o Bruno escreveu, estaríamos a ser demasiadamente papistas, muito mais do que o próprio Papa. Daí que o único argumento que me preocupa no que concerne à criação desta entidade seja realmente o quarto.

É evidente que me incomoda ter quase toda a esquerda (Professores Fernando Rosas e Freitas do Amaral, por exemplo) e alguma direita a verberar contra os EUA e a querer clamar uma potência que se lhes oponha. Mas a verdadeira questão, e essa incomoda-me, é pensar no que aconteceria se os EUA decidissem alterar a sua política externa. Vejamos as coisas ao contrário. E se o 11 de Setembro tivesse sido em Haia, com igual número de mortos, e se Bush tivesse prudentemente optado por estar quieto em nome da paz e do diálogo e da celebração da diversidade cultural? E se Bush tivesse seguido os ímpetos egoístas de política externa que tantas vezes dominaram os EUA? Neste caso, só uma Europa verdadeiramente capacitada poderia obrigar os EUA a, como Bush tentou e em parte conseguiu relativamente à Europa, aderir à sua causa.

Dir-me-ão que os EUA têm sido um tradicional aliado dos nossos valores civilizacionais, razão pela qual a questão dificilmente se poria. Para além de pensar que tal não é necessariamente verdade, porque existem várias dezenas de regimes e atrocidades Mundo fora a que os EUA não prestam particular atenção e que o demonstram, o certo é que isso seria um cheque em branco. E se um dia é um senhor como Chirac a ser eleito Presidente dos EUA, por exemplo?

Por outro lado, o que o Bruno parece dizer é que se vamos construir uma potência que se oponha aos EUA, mais vale estarmos quietos. Eu concordo inteiramente com isso, mas por motivos diversos. Eu quero essa entidade para que a Europa represente um papel, o seu papel, na condução da política internacional. Para poder tentar obrigar os EUA a intervir em Timor por exemplo (daria um livro...). Pretender dizer não a essa entidade porque se formaria um espírito diferente do que é pretendido é ser anti-democrático. Em última instância, seria a vontade dos Europeus, à qual teríamos de nos submeter. Seria duro perceber que os governos europeus preferiam estar quietos em vez de irem para o Iraque, mas teria de aceitar como tenho de aceitar um outro conjunto de atrocidades decididas democraticamente.

Isto leva-nos ao cerne da questão. Eu rejeito esta entidade, não porque dela possa sair uma política coerente, alinhada ou não com os EUA, mas sim porque dela ainda não é possível extrair o que quer que seja que valha a pena, como refere o Bruno, prescindir dos Orçamentos para a qualidade de vida. Não me vou agarrar à NATO que á actualmente uma ficção, em grande parte porque a Europa vale nada. A União Europeia faz sentido como construção faseada. Infelizmente, faz muitas vezes lembrar os miúdos de 6, 7 anos a querer fazer coisas de adultos. A resposta inevitavel dos pais é: espera, vais ter muito tempo para fazer isso quando fores crescido. Tenho pena que não haja mais pais por aí, que possam dizer o mesmo aos mentores da construção europeia. E neste momento é o que apetece dizer: Senhor Chirac, tenha calma, que um dia poderá sair à noite e entrar em todas as discotecas que quiser.

25 de Novembro



Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen

23.11.03

Paulo Pedroso e a AR


Paulo Pedroso desiste de explicar na AR o seu regresso como deputado. De acordo com Paulo Pedroso, «todo o contexto em que regressei ao Parlamento está cabalmente esclarecido e não carece de novas intervenções».

Paulo Pedroso é arguido de um processo crime, suspeito de crimes de pedofilia. Entendeu dar explicações. Concedeu entrevistas ao Expresso ou a revistas como a Flash. Considera que o assunto está cabalmente esclarecido. Não precisa de se justificar na AR.

Não foi Paulo Pedroso que há bem pouco tempo disse que só havia pedido a demissão de Paulo Portas porque o Ministro preferira dar explicações na TVI em vez de ter ido ao Parlamento?...

Import/Export


Mário Bettencourt Resendes elogia os modelos de desenvolvimento das Regiões Autónomas. Parece que não há crise por aqueles lados. E vai daí e lança um sugestão: "Não poderíamos importar para o Continente uma parte da massa crítica governativa das ilhas?" Para MBR o sucesso do desenvolvimento insular vem da massa crítica governativa das ilhas. Não me parece que tal seja exactamente assim. Grande parte do sucesso do desenvolvimento insular deve-se à vertente pedinchona dos governos regionais aliada à proverbial disponibilidade com que os governantes centrais disponibilizam os euros àquelas regiões, em deterimento de outras zonas continentais mais carenciadas.

Por isso, eu deixo outra sugestão. Exportamos os governantes centrais para Bruxelas para nos abrirem as torneiras dos euros (já agora, aproveitando a viagem, exportamos a oposição também). Mantemos os governantes regionais a desenvolver as regiões com o dinheiro que por justiça lhes cabe. E deixamos os cidadãos livremente gerir os fundos que entretanto começariam a entrar.

O resultado seria: mais dinheiro a entrar, melhor gestão e mais justiça na distribuição geográfica do dinheiro entrado.

As meninas de Bragança provocam Sismo


O distrito de Bragança foi, este domingo, atingido, cerca das 10:35 horas, por um sismo de magnitude de 3,2 na escala aberta de Richter. A notícia é avançada pelo Instituto de Metorologia (IM).

Eu bem sei que não me cabe aqui meter foice em seara alheia, até porque não percebo muito de sismos. Mas, tendo em conta a magnitude e o epicentro, será que foi mesmo um sismo? Ou será que os pais de Bragança estavam todos entretidos ao mesmo tempo?

21.11.03

Alguém conhece um bom Director de Marketing que me empreste?


O Abrupto lançou uma pergunta pertinente: Quantos dos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, que vão chamar a Bush assassino, sairiam para a rua contra a Al Qaeda? O Cruzes Canhoto respondeu. De acordo com o Cruzes, a resposta é fácil: nenhuns, pois a Al-Qaeda não liga rigorosamente nada a manifestações. Quando os governantes ocidentais deixarem de ligar às manifestações e à rua, é sinal que se tornaram iguais à Al-Qaeda.

Mas quem lê outro post mais abaixo do Cruzes, onde se acusa a Administração Bush de fazer duas guerras, de provocar violações várias dos direitos humanos, de cometer atropelos à legalidade internacional, de mentir descaradamente e fazer ataques às liberdades individuais até parece que Bush é igual a uma organização terrorista. E assim sendo, pode esperar-se de alguém que alegadamente fez o que o Cruzes lhe imputa que dê alguma relevância às manifestações de rua?

A resposta à pergunta do Abrupto deveria antes ser procurada noutro lugar. O que verdadeiramente motiva os manifestantes, ou pelo menos a sua maioria, é o verdadeiro desejo de participar num movimento de paz. Não tenho grandes problemas em admitir que grande parte dos manifestantes não padece de sanha contra os EUA (embora tambám lá estejam muitos). Desejam apenas contribuir para um Mundo de paz. O problema de tudo isto é a forma como, desde a escola aos meios de comunicação social, lhes é apresentada a Guerra. Eles não conhecem as atrocidades dos regimes totalitários porque nunca ninguém falou deles. Eles não fazem ideia do que foi o regime iraquiano desposto porque nos últimos meses ninguém se preocupou em enfatizar o que lá se passava. A verdadeira resposta à pergunta do Abrupto encontra-se no marketing. Mas claro. O marketing a favor das posições de Bush seria propaganda totalitária. O marketing a favor das posições destas manifestações seria esclarecimento civilizacional.

Carrilhicistices II


A propósito do site de Carrilho. Depois de ter falado aqui no serviço público de televisão, eis senão quando me deparo com a única intervenção que Carrilho nos coloca ao dispor e que é precisamente sobre esse tema. Uma verdadeira pérola que não tem link nem permite copy/paste nem permite aceder a ela sem ter de passar pelas fotos artísticas de Carrilho. Como tal, respeitando a vontade do senhor em não ser linkado nem referido nem lido, fico-me por aqui.

Carrilhicistices


Não fora o Homem a Dias e provavelmente ter-me-ia passado ao lado o novo site de Manuel Maria Carrilho. Decidi-me a seguir o link. Respirei fundo antes fazer click e entrar no mundo de Carrilho, na decidida convicção que iria encontrar um site narciso. Enganei-me. O site de Carrilho não é narciso. Aliás, depois do site de Carrilho, a palavra narciso vai entrar em extinção. Já não vou poder chamar a minha prima de narcisista. Vou ter que passar a chamá-la de carrilhista ou carrilha ou carrilhicista ou outra coisa qualquer começada por carrilh....

20.11.03

A Alta Autoridade e a prisão do cão


O Intermitente veio chamar a atenção para as reacções da Alta Autoridade para a Comunicação Social acerca do Contrato de Concessão do novo canal A Dois. Para não variar, o sentido das reacções vai direitinho para a condenação da abertura aos privados do serviço público de televisão do segundo canal. Perigo de clientelismo, dizem eles.

Para além de não poder concordar com esta divinização que a AACS faz do papel do Estado nos meios de comunicação social, e que já comentei aqui, não posso deixar de lançar algumas notas sobre o assunto.

Em primeiro lugar, é preciso referir que foi aprovada uma nova Lei da Televisão em Agosto deste ano. O serviço público de televisão foi gizado nesta nova Lei em três vectores diferentes: um canal generalista, um canal sociedade e autonomização dos canais regionais. Desta forma, foi consagrada uma concessão genérica relativa a um canal generalista e uma concessão específica, destinada ao canal sociedade, que terá uma natureza complementar, vocacionada nomeadamente para a cultura, a ciência, a investigação, a inovação, a acção social, o desporto amador e a produção independente. Quanto aos canais regionais, estes poderão ser explorados por sociedades participadas pelas regiões autónomas e por outras entidades, públicas e privadas.

A concessão genérica do serviço público de televisão é atribuída por Lei à Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, S. A., pelo prazo de 16 anos, nos termos de contrato de concessão a celebrar entre o Estado e essa sociedade, que não está ainda constituída. Refira-se desde já que o facto de a própria concessão do serviço público de televisão ser feita através de Lei, sem precedência de um concurso público parece conferir uma certa impunidade à concessionária (sempre a mesma), como se não fosse esta a ter que se conformar ao serviço público de televisão, mas este a conformar-se à existência daquela.

O serviço público de televisão terá também um serviço de programas “particularmente vocacionado para a cultura, a ciência, a investigação, a inovação, a acção social, o desporto amador, as confissões religiosas, a produção independente, o cinema português, o ambiente e a defesa do consumidor e o experimentalismo audiovisual” (art. 51.º), constituindo o chamado Canal Sociedade. De acordo com a Lei aprovada em Assembleia da República e que traduz a vontade de um Órgão de Soberania, este serviço de programas especial será objecto de concessão autónoma, pelo prazo de oito anos, a qual ficará na titularidade da Rádio e Televisão de Portugal, SGPS, S. A. Findo o prazo de oito anos, serviço de programas será concedido a uma entidade constituída para esse fim específico, cuja organização reflicta a diversidade da sociedade civil, nos termos a definir por lei e pelo respectivo contrato de concessão.

Não compete à AACS vir insurgir-se contra a vontade expressa da Assembleia da República, fazendo tábua rasa das opções expressas na nova Lei da Televisão.

Em segundo lugar, há que referir que a AACS é um órgão independente que funciona junto da Assembleia da República, dotado de autonomia administrativa (art. 39º, n.º 3 da CRP e art. 2º da Lei n.º 43/98, de 6 de Agosto - LAACS), que assegura a liberdade de imprensa e a independência dos órgãos de comunicação social perante qualquer poder, bem como possibilidade de expressão e confronto de diversas correntes de opinião (art. 39, n.º 1 CRP). Isto significa que a AACS tem de preocupar-se também com o excessivo peso do Estado e dos poderes públicos na televisão. Como é que a AACS se escusa a comentar os evidentes perigos que resultam do peso de um Governo nos órgãos de comunicação social é que ainda se está para perceber. Ou acaso considera a AACS que não vem daí nenhum perigo? Bem se vê que não considera. Fosse um Governo de esquerda a querer realizar esta abertura aos privados e logo teríamos loas ao intenso esforço de desgovernamentalização e à intervenção da sociedade civil na televisão.

Pois eu atrevo-me a dizer que, com esta AACS e com a sua composição actual, é bem mais perigoso que o serviço público de televisão se mantenha integralmente dependente do Estado. É que a composição da AACS continua a reflectir excessivas conotações políticas e estaduais, só justificáveis se o sector estivesse integralmente nas mãos dos privados.

Em terceiro lugar, o mais gritante e terrível equívoco de tudo isto é ficarmos sem perceber o que quer a AACS. A AACS é contra a intervenção dos privados no serviço público de televisão. Mas no momento em que dão os primeiros passos nesse rumo, o que a AACS decide criticar é o clientelismo que vai gerar entre o Estado e elementos da sociedade civil que vão participar no segundo canal. Ora, se a AACS considera que o Estado pode querer criar clientelismos no sector é porque considera que o Estado pode ser perigoso. E se pode ser perigoso é porque temos de limitar a sua intervenção. E se temos de limitar a sua intervenção é necessário criar mecanismos de intervenção privada no sector. Mas se assim é, logo nos volta a aparecer a AACS a manifestar o seu desagrado pela alienação das funções do Estado. Ou bem que o Estado é inofensivo ou bem que não é. Não se pode é ser preso por ter cão e por não ter...

19.11.03

Legitimidade alheia


Victor Salgado, líder da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra disse ao DN que considerava legítimas as manifestações de desagrado dos Professores relativamente à forma como se processam as manifestações dos estudantes.

Não sei em que Mundo vive este senhor nem se percebe bem o que se passa à sua volta, mas ainda ninguém questionou a legitimidade das manifestações dos professores, pelo que não nos interessa que Victor Salgado as sancione. O que se questiona é a legitimidade das manifestações comandadas por Victor Salgado. E sobre isso, nem uma palavra se ouviu do aluno em causa. Aliás, tendo em conta a carreira estudantil de Victor Hugo Salgado, temos é dúvidas que ele se possa ainda considerar aluno da Faculdade de Coimbra...

18.11.03

Viva a GNR bronzeada! Parte II


MK dos Relativos também parece concordar com o Japão e com a suspensão do envio de tropas da GNR para Nasiriyah.

Ou bem que se concorda com o envio de tropas, e nesse caso não se pode escolher o momento mais calmo para o fazer, sob pena de quando esse momento chegar as tropas não irem lá fazer nada; ou não se concorda com o envio de tropas e elas não vão. Pretender ser a favor do envio, mas só quando estiver tudo a dormir e calminho é uma contradição insanável.

Não há dúvida que é uma táctica confortável. Excepto se formos nós o povo ofendido e martirizado...

Lado a Lado


Teresa Gouveia revelou a Sylvan Shalom as suas preocupações no que respeita ao "Muro da Vergonha" de Israel. De acordo com Teresa Gouveia (e portanto, de acordo com o Governo Português), o Muro pode "constituir um entrave irreversível para aquilo que é o objectivo de dois Estados conviverem lado a lado".

Eu não sei o que Sylvan Shalom lhe respondeu. Mas eu ter-lhe ia respondido: minha cara senhora, não sei se está a perceber bem, mas o muro é feito precisamente com objectivo de viver lado a lado com os palestinianos...

Sobre o muro, vale a pena ler o post do Liberdade de Expressão. O melhor de todos os blogues.

Entretanto, volto a colocar o CD de Rita a tocar. Ela canta Ani haya li mi-yom le-yom, o que significa, se não estou em grande erro, vivendo dia a dia. Pouco mais lhes resta que viver assim.

17.11.03

Vasilha


O A Causa Foi Modificada falou em vasilha.

Não resisto a colocar aqui Marina Tsvietáieva.

Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.

Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vasa a poesia.

Viva a GNR bronzeada!


O Descrédito vem dizer que o Governo deveria adiar ou cancelar o envio dos militares da GNR para o Iraque. Ao que parece, Nasiryah é um local perigoso, e já houve atentados. Esta foi, em linhas gerais, também a posição de Ferro Rodrigues sobre o assunto que na entrevista a Judite de Sousa teve o azar de concordar com o envio das tropas...

Que o Iraque é um local perigoso, já todos sabíamos, especialmente a esquerda, que se agiganta sempre que morre alguém por lá, avisando que as forças da coligação não são bem vindas. Não deixa por isso de ser estranho que só depois do atentado de Nasiryah se tenha o PS apercebido de algo que toda a esquerda repete insistentemente.

Mas, ainda que assim não fosse, porque razão deveria Portugal mandar a GNR patrulhar zonas calmas? Sugere o PS que Portugal deve gastar o seu dinheiro para mandar passear a GNR em zonas paradisíacas? Para que serve, afinal, a GNR? Para luzir um bronze considerável em paradas e demonstrações?

O Descrédito parece concordar com o Japão, dizendo que o que se passa no Iraque não é um cenário de reconstrução, mas sim um teatro de guerra. Mas não lhes passa pela cabeça, ao menos por um segundo, que o teatro da guerra é comandado pelos que se opõem à reconstrução? Que o teatro de guerra é comandado pelos que destruíram o país? Que o teatro de guerra existe porque existe quem nunca militou a favor de qualquer valor como a paz, a democracia ou a liberdade?

Este género de argumentos pode bem ter sido utilizado por dezenas de países acerca de Timor, por exemplo. É este tipo de argumentos que justifica e permite que situações de terror se mantenham Mundo fora. A guerra, caros amigos, existe porque existe o mal. E neste caso, permitam-me que me sinta incapaz de considerar que o mal não está no regime de Hussein...

Híbrido, eu?


Diz o Mata-Mouros que “JPP acusou o PND de se comportar de modo idêntico ao do seu próprio partido desde a morte de Sá Carneiro” referindo-se à ambiguidade ideológica do PSD. Só o pudor em afrontar a memória de Sá Carneiro pode justificar que o período de Sá Carneiro seja afastado da ambiguidade do PSD, quando foi sobretudo com Sá Carneiro que o PSD aprendeu a ser ambíguo.

Claramente preocupado em fazer aceite o seu partido no quadro partidário português, todo o discurso inicial de Sá Carneiro se conduzia para a esquerda e falava na construção do socialismo, do qual a social democracia constituía o verdadeiro caminho (v. o Programa do PPD). Daí que esse posicionamento à esquerda do partido contrastasse desde o início com grande parte dos dirigentes fundadores do PPD. Havia mesmo que dissesse que o partido mais não era do que uma reacção dos “liberais” à revolução de Abril. Afinal, o PPD era considerado como um partido que se afirmava em torno “do objectivo liberal de afirmação da classe média” (Joaquim Aguiar).

Existia portanto um desfasamento evidente entre o entendimento da classe dirigente do PPD e o programa então apresentado. Fenómeno idêntico sucedia também no CDS. No entanto, ao contrário do que sucedia no CDS, o PPD, e depois PPD/PSD, fez da falta de tradição política consistente uma das suas maiores vantagens eleitorais, e aqui concordamos com a Grande Loja do Queijo Limiano.

O PPD/PSD tornou-se rapidamente, sob a batuta de Sá Carneiro, num partido pragmático, que foi alterando, consoante as lideranças e as circunstâncias, o seu rumo e a sua ideologia de base e fazendo desse pragmatismo ou hibridismo ideológico a sua imagem de marca. O que dizer do facto de AD ter sido formada depois de o PS ter recusado a proposta de coligação eleitoral que lhe foi apresentada por Sá Carneiro? Impossibilitado de se aliar à esquerda, Sá Carneiro opta pela direita. Ou o que dizer dos namoros simultâneos à Internacional Socialista e à União Europeia das Democracias Cristãs? (v., a este respeito, o desconcertante elogio que Marcelo Rebelo de Sousa faz às hesitações de Sá Carneiro quanto às ligações internacionais do PSD nos seus livros acerca do partido). Sá Carneiro muda o discurso e muda o tom sempre que é preciso, tudo para impor o seu partido. Tal estratégia não deixou, no entanto, de criar alguns problemas na vida interna do partido, culminando, algumas das vezes, com a saída dos militantes que discordavam da deriva pragmática que Sá Carneiro impunha. Veja-se, por exemplo, o caso das Opções Inadiáveis ou da formação da ASDI. Com estas rupturas, o PPD escolheu o caminho da ambiguidade. Dispensou a ideologia.

Daí que me pareça injusto afastar as responsabilidades de Sá Carneiro na deriva ideológica evidente no PSD. Ele foi aliás o principal responsável. Será apenas com Cavaco Silva que o PSD encontra um caminho ideológico mais sólido, mas ainda assim dúbio. Aníbal Cavaco Silva preparou o PSD para uma profunda reforma ideológica, que culminou em 1992 com a revisão do Programa do PSD. Nessa revisão consagram-se, de forma clara, alguns dos princípios caros aos partidos democratas cristãos, como o personalismo cristão, a família como célula essencial da sociedade, a solidariedade humanista, a livre iniciativa económica ou a subsidiariedade da acção estatal. Em suma, o Programa do PSD enraíza-se no Cristianismo e Humanismo. Apesar da flagrante aproximação do PSD à doutrina democrata cristã, mormente à sua prática política e governativa, a verdade é que nunca o PSD se assumiu como partido democrata cristão, antes como um partido defensor do liberalismo político. E esta ambiguidade programática permite-lhe, uma vez mais, transitar entre a esquerda e a direita com relativa facilidade.

A somar a estas realidades endógenas, há ainda que realçar o espectro político português que, até ao surgimento do Bloco de Esquerda, permitia ao PSD manter um pé na esquerda com toda a facilidade. Mas isso fica para outro post.

Revelação


O Caso Arrumado foi a Revelação da semana no entender do Mata-Mouros!
Não sei se a concorrência era grande ou não, mas para meu bem, espero que esta semana tenham aparecido aí uns 15 blogues.
Ainda assim, com 1 ou 10 blogues a concorrer ao prémio, sabe muito bem. Muito bem mesmo. Obrigado Mata-Mouros!

16.11.03

15.11.03

Gregos e Troianos


Sobre o mesmo post recebemos duas reacções diversas. De um lado, digamos Troiano, o João Leitão considera que sou provavelmente muito novo e que, como tal, me perdoa a opinião de que Soares é um frustrado, apesar de completamente infundada. Do outro lado, digamos Grego, o Homem Fumando elogia-me a perspicácia e lúcidez no post sobre Soares e Cunhal.

Sou de facto novo. Tenho 25 anos. Mas não vou aceitar, caro João, que a minha idade me impeça de dizer o que penso sobre factos que não presenciei. A História faz-se assim mesmo. É lida, analisada e estudada por quem a não viveu. Não entro na onda do "onde estava eu no 25 de Abril?" porque essa pergunta não habilita ninguém a ter razão. Mas gostei muito de receber o seu mail. Porque foi (ou pelo menos pareceu) o primeiro mail de um não-bloguista que o Caso Arrumado recebeu!

Ao Homem Fumando tenho de agradecer os elogios. Mas, mais do que isso, tenho de os retribuir. Um dos melhores blogues que visitei nos últimos tempos. Obrigado uma vez mais. Kalispera!

Será?...


Será que, agora que o jornalista da casa Carlos Raleiras foi libertado, a TSF vai deixar de considerar as forças da coligação como forças invasoras e passará a vê-las como aquilo que são: forças de libertação?

Chuto para canto


Celeste Cardona recusa a ideia de criar salas de chuto nas prisões portuguesas. De acordo com a Ministra, não faz sentido que seja permitido aos reclusos aquilo que é vedado aos que estão em liberdade. Até aqui, tudo parece lógico. Mas a pergunta seguinte deveria ser: sendo Ministra da Justiça, está disposta então a criar salas de chuto legalizadas em alguns pontos do país? O CDS tem respondido sempre que não, pelo que se presume que a resposta de Cardona seria a mesma. Não ficaria muito mais bonito se Celeste Cardona tivesse dito que é contra o conceito de salas de chuto, seja em que contexto for, em vez de andar a jogar aos círculos viciosos de respostas quase inteligentes? Porque a resposta de Cardona não ajuda em nada o debate a fazer sobre estas matérias. Não responde. Chuta para a canto.

Alucinação


As palavras não nos pertencem. Não têm uma ordem certa. Não conhecem cadências perfeitas. São permanentes enxertos de tudo e de nada e de todos os lugares. Chegam de todos lados, arrancadas abusivamente aqui e ali. São pedidas por empréstimo. São furtadas. São moeda de troca. Que sorte têm os que inventam as suas próprias palavras e lhes encontram um caminho.

14.11.03

Agradecimentos II


Quero agradecer as referências e palavras elogiosas da bombainteligente, do complot, da almadespida, da janelaparaorio e do generalidadeseculatras:

Muito obrigado!

Vai começar...


Os acontecimentos recentes no Iraque, em que Carlos Raleiras da TSF foi raptado e Maria João Ruela da SIC foi baleada, vão precipitar o que há muito se adivinhava: a diabolização da presença portuguesa no Iraque. Mas o que estes acontecimentos também vão precipitar é uma reacção corporativa. O que torna tudo muito mais perigoso. E triste.

13.11.03

Princípios


Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.

Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.

Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.

Nuno Júdice

Saberá o César que Jorge Coelho se meteu com a mulher dele?


Tudo se passa no DN de hoje.
Num lado, Jorge Coelho vem reinventar o velho brocardo sobre a mulher de César, dizendo que Ferro Rodrigues se vê obrigado não só a ser e parecer sério, como também a estar permanentemente atento ao que se diz para defender o seu bom-nome e a sua honra.
Jorge Coelho parece estar ao lado de Ferro, mas estará mesmo? Será Jorge Coelho o que parece?
É que noutro lado do DN se noticiam as movimentações internas no PS, envolvendo, entre outros, o nome de Jorge Coelho.
Roubamos a ideia a Jorge Coelho, e reinventamos o brocardo acerca da mulher de César: A Jorge Coelho não basta ser e parecer sério, é preciso também não andar em mesas de hotel a conversar com o Desejado e putativo candidato a líder dos socialistas.

República vs. Monarquia


Aproveitando a maré do Cataláxia e da Causa Liberal e retomando um post muito sucinto acerca da questão, volto ao tema da Monarquia vs. República.

O fundamento da Monarquia aproxima-a mais da fé do que propriamente da política. Ser Monárquico é aceitar-se ser governado por quem ainda nem sequer se conhece. É um cheque em branco. Defender a Monarquia é aceitar ser governado pelos herdeiros de D. Duarte Pio (cruzes!!!) mesmo antes de eles terem nascido. Daí que a Monarquia seja uma questão de fé. Quem a defende quase nunca consegue impô-la aos restantes através de motivos concretos ou razoáveis. Ou se acredita ou não.

Numa conferência sobre o tema em epígrafe, Sousa Lara (cruzes!!) assumiu-se monárquico por questões estéticas. Era mais bonito para um país tão mal frequentado. O que me pareceu absurdo na altura faz hoje todo o sentido. A Monarquia não se racionaliza, não se alcança pela lógica. Atinge-se pela fé.

Eu não estou disposto a aderir a qualquer regime por questões de fé. Eu quero aderir a um Regime que me prove ser, por comparação a todos os outros, o melhor. Vejamos:

A Monarquia assegura-me o direito de escolha? Não. A Monarquia garante-me que premeia o melhor? Não. Se premeia alguém, é o mais velho dos irmãos. A Monarquia sustenta-se numa legitimidade popular? Não, sustenta-se na legitimidade do sangue, impondo por isso uma superioridade a quem o tenha a correr nas suas veias. A Monarquia tem mecanismos eficazes de sindicância? Não, de todo. No meio destas e outras tantas perguntas de resposta desconcertante, não consigo conceber-me monárquico.

Um último e recente argumento tem sido apontado a favor da Monarquia. Há quem diga que um Rei representará, de forma mais eficaz e afirmativa, a existência de uma Nação e Estado soberanos num contexto para-federal. Não me deixo impressionar por este argumento, pelo simples facto de que grande parte dos países que se vêm mostrando muito favoráveis ao reforço do pendor federal da União serem monarquias. Basta pensar, por exemplo, no Benelux.

Tudo somado, viva a República!

A Nova Democracia e o Pacto MFA/Partidos


Manuel Monteiro voltou a insistir numa ideia que já tinha sido defendida aqui. De acordo com essa ideia, o PND é o único partido português que não é filho do pacto MFA-Partidos.

Aplaudo a amnésia de Manuel Monteiro quanto ao Bloco de Esquerda. Quantos de nós não tentamos diariamente esquecer que o BE existe, embora sem sucesso?

Regozijo com a amnésia de Manuel Monteiro quanto ao PRD. Quantas e quantas vezes não terá o General Eanes tentado o mesmo, embora sem sucesso?

Não posso deixar de felicitar Manuel Monteiro pela amnésia quanto ao PSN. Quantos e quantos reformados não tentaram já esquecer o dia em que votaram no Manuel Sérgio e continuam sem conseguir?

Evidentemente que a amnésia de Manuel Monteiro quanto ao PNR também é de saudar. Imagino Manuel Monteiro a rezar aos santinhos para que o seu eleitorado siga o mesmo caminho e se esqueça de que o PNR existe.

Não me incomodo com a amnésia de Manuel Monteiro no que respeita ao PDC. Quem é que se quer lembrar que o direitista PDC sempre se orgulhou do que Monteiro se orgulha agora: de não ter feito parte do pacto?

Claro que, no meio de tanta amnésia, Manuel Monteiro se esqueceu de dizer que já foi Presidente de um partido filho do pacto, que quis fazer uma aliança com outro partido filho do pacto ou que grande parte dos militantes do seu ND vêm de partidos filhos do pacto...

Agradecimentos


Agradeço as palavras de saudação e boas vindas que me vieram endereçadas pelo Jaquinzinhos, pela Charlotte, pelo Manel, pelo Bruno e pelo jumento.

Palavras de agradecimento, com especial emoção, para o cataláxia, ovilacondense, o intermitente e ainda para a grandelojadoqueijolimiano, a quem se deve o aumento súbito de pageviews deste blogue.

A todos, muito obrigado. Sintam-se à vontade para me vir desarrumar o canto sempre que quiserem!

12.11.03

A frustração de Soares


Mário Soares diz aqui que a vida de Cunhal representa uma tragédia e uma frustração. Eu acho que a vida de Cunhal representa é o azar: o azar de não ter encontrado uma gaveta suficientemente grande para lá meter o comunismo.

Frustração representa, isso sim, a vida de Soares. Afinal de contas, foi só depois de ter metido o socialismo na gaveta que ele conseguiu ser alguém por aqui. Se isso não é uma grande frustração, não sei o que será.

Tragédia representaria a nossa vida se Soares não fosse um frustrado.

A minha Liberdade de Expressão é melhor que a tua


(post em nada relacionado com um dos melhores blogues portugueses)
No seu último artigo no Público, Fernando Rosas vem disparar em quase todas as direcções, a propósito da titularidade dos meios de comunicação social. Dispara em quase todas as direcções porque continua sem reconhecer que o excessivo peso do Estado no sector é tão nefasto quanto o excessivo peso da iniciativa privada.

Assusta-se o ilustre Professor, como se o Bloco de Esquerda não fosse tratado pelos media como um partido que equivalesse a cerca de 10 ou 15% dos eleitores, com o afunilamento ideológico dos meios de comunicação social em resultado da sua concentração em grupos económicos e da sua excessiva PSD-ização.

Poderemos compreender, embora não aceitando, os receios de Fernando Rosas acerca da concentração empresarial dos media. O que não podemos compreender é que a governamentalização dos meios de comunicação social (que sempre existiu e sempre existirá) seja criticada apenas porque tal corresponde a uma inversão à direita do discurso. Fosse o Governo de esquerda, anti-Bush, panfletário, participante do Fórum Social Português e leitor de Chomsky e tudo estaria no melhor dos Mundos para o Prof. Rosas.

Peguemos no exemplo da televisão. O Prof. Rosas vem fazer ai Jesus! a uma privatização do segundo canal da RTP, esquecendo-se que a concessionária de serviço público de televisão é uma empresa de que o Estado é o único accionista sendo ele, em consequência, o responsável pelas opções da empresa. Não se vê como é que o eminente Professor pode querer, em coerência, atribuir a responsabilidade directa ao Estado pela prossecução do serviço público de televisão e, ao mesmo tempo, retirar-lhe prerrogativas básicas de administração que sempre deverão caber a quem tem essa responsabilidade. Veja-se o caso que serviu de base ao recente e polémico Acórdão do Tribunal Constitucional. O Tribunal entendeu que o Governo não deveria deter a livre nomeação dos administradores das sociedades de capitais públicos titulares de meios de comunicação social, sem no entanto cuidar que o accionista exclusivo Estado, representado pelo Governo, é que sempre será responsabilizado publicamente pelo resultados dessa gestão empresarial sendo ele também o responsável pela gestão das finanças públicas.

O que o Prof. Rosas quer evitar é que conteúdos de direita sejam veiculados. Ora, tendo nós um governo à direita, o normal seria querer criar mecanismos que cerceassem a influência governamental nos meios de comunicação social, reduzindo o papel do Estado. Mas isso não passa pela cabeça do Professor, para quem o Estado é tudo. Conclusão: a única solução que o Professor Rosas parece querer encontrar é a mudança de governo. Mesmo contra a vontade do povo. A favor da sua liberdade de expressão.

11.11.03

Mafalda


O Barnabé publicou uma imagem de uma das minhas personagens favoritas, a Mafalda. Mais do que uma nostalgia, aquela imagem relembrou-me uma intensa dúvida interior que me assolou durante anos. Como posso eu considerar-me de direita e ter como personagem favorita, a Mafalda? Entretanto cresci, comecei a ler um pouco mais além da opinião publicada cá no burgo e acabei por perceber que não havia que ter dúvidas. Nada na Mafalda me obrigava a ser de esquerda. Tudo na Mafalda me obrigava a ser reformista.

Aldegundes


O que encerra um nome como Aldegundes? O pretexto para uma das mais deliciosas polémicas na blogosfera. De um lado, o fabuloso Jaquinzinhos e, do outro, o fabuloso Cruzes. Por aqui, apoia-se o dextro!

Mea Culpa


Ferro Rodrigues acaba de reconhecer a Judite de Sousa que errou quando pediu a Paulo Pedroso que regressasse ao Parlamento após a sua saída da cadeia. Diz Ferro Rodrigues que nunca pensou que as imagens de felicidade e contentamento genuínos pudessem dar aquela má imagem que acabou por passar nas televisões. Só fiquei sem perceber uma coisa: se a felicidade e o contentamento eram genuínos - e eu acredito que sim - porque razão Ferro Rodrigues diz que errou? Das duas uma, ou os meios de comunicação social deturparam o que lá se passou e Ferro Rodrigues não errou, ou aquela atitude foi, toda ela, um erro. Mas se assim é, Ferro Rodrigues não pode dizer que errou apenas porque as imagens não conseguiam transmitir verdadeiramente o que lá se passava. Ou agora Ferro quer ficar também com as culpas dos erros dos meios de comunicação social? Não lhe bastam já os seus próprios erros? Veremos amanhã de manhã o que escrevem os Relativos sobre esta matéria.

Viva o Povo!


O Catalaxia lança alguns argumentos a favor da República e contra a Monarquia. Tenho de concordar com todos eles. Mas tenho para mim que o maior argumento a favor da República é o de que a legitimidade para o exercício do poder tem de ser sempre encontrada fora da esfera do próprio poder. Na Monarquia, o poder legitima-se a si próprio por mera decorrência hereditária. Na República, o poder legitima-se no povo. Assim como assim, sempre prefiro submeter-me aos desenganos do povo do que às ironias sanguíneas...

9.11.03

Os jornalistas e a política (depois de lido o Abrupto)


A propósito da discussão lançada pelo Abrupto sobre os jornalistas e o poder político, não poderia deixar de dizer algumas palavras, apesar de me faltar o tempo. Ficam ideias esparsas, que ninguém lerá porque as pageviews deste blogue estão nas ruas da amargura.

Não deixa de ser curioso que se passe quase sempre por este tema sem realçar que o grande problema em torno da promiscuidade entre jornalistas e políticos é o facto de grande parte deles serem maus, péssimos, terríveis profissionais. Um bom jornalista pode, evidentemente, andar entre a política e o jornalismo desempenhando bem as suas funções. Mas o problema - é preciso que se diga isto - é que grande parte dos profissionais do jornalismo está terrivelmente preparada. São Maus. Muito maus. Não sabem distinguir a Palestina de Israel. São capazes de jurar que o Juiz disse que o pedido não tinha cabimento quando este apenas disse que não havia causa de pedir. Fazem reportagens sobre o casamento do Rei de Espanha e quando ouvem os populares dizer que querem é saber das datas (fechas) relatam que o povo quer é festa. Entre milhões de outros exemplos. Sendo maus profissionais, não se lhes pode exigir que, na prática, consigam levar a cabo aquilo que parece ser meridiano na teoria.

Por outro lado, muitos dos jornalistas que fazem política são políticos falhados. Adorariam ser eles a estar no hemiciclo. Adorariam ser eles entrevistados e não entrevistadores. Há ali uma espécie de sonho por alcançar. Daí até à perda da distância necessária para relatar com profissionalismo o que se passa, vai um sopro. É vê-los a discutir estratégias com os próprios políticos, a dar sugestões e a até (pasme-se!) oferecer os seus préstimos. Nenhum resiste ao derradeiro convite. Nenhum.

Nova? Democracia?


Há quem considere que o que faz correr os membros do Nova Democracia é o ódio a Paulo Portas. Uma espécie de ajuste de contas. Mas convenhamos. Se fosse o ódio a Paulo Portas, o partido era composto por 50 vezes mais pessoas do que é actualmente e já constituiria um alfobre de alguns dos melhores políticos da nossa praça. Não. O ND nasceu por motivos bem mais profundos. Quanto a mim, o ND nasceu de uma predisposição de alguns quantos jovens quadros nacionalistas e conservadores para se considerarem a reserva iluminada da nação. Quase todos têm vidas profissionais tendentes a considerá-los reformadores. Mas todos têm convicções políticas que contrariam a vida profissional reformista. São conservadores, nacionalistas, atlantistas, sacristães... Andam há anos a tentar a vida política, mas ninguém os quis. Nem mesmo o PSD que é capaz de albergar desde o Paulo Teixeira Pinto (que, para mim, é a perfeita imagem do que é o ND, apesar de estar no PSD) ao Pacheco Pereira. Têm agora a sua oportunidade de se fazerem notar. Depois logo se vê...

Para quando um movimento verdadeiramente liberal é o que está para se ver. Por enquanto, ficamo-nos com as excelentes tiradas do Catalaxia sobre o assunto.

8.11.03

Visio


E agora te vejo. E fria
Tão outra estás da que eu via
Naquele sonho encantado!
És outra, calma, discreta,
Com o olhar indiferente,
Tão outro do olhar sonhado,
Que a minha alma de poeta
Não vê se a imagem presente
Foi a visão do passado.


Machado de Assis

A Noite


Respondendo ao extraordinário desafio do Aviz:

Olha. As luzes da cidade apagaram-se para nós. E os nossos corpos. Quase Soltos, ainda livres, entregam-se à tentação de voar.

Tabit 'alay - shara ba-rkhovot


As letras vão aparecendo enquanto a Rita canta "Shara Ba-rkhovot". Provavelmente ninguém conhecerá a Rita, uma cantora israelita de que gosto muito. Não é suficientemente erudita para entrar nos circuitos-dos-cantores-que-ninguém-conhece-só-nós-que-somos-maravilhosamente-cultos mas também não é suficientemente comercial para entrar nos restantes circuitos que se encarregam de espalhar talentos Mundo fora.

Mas adiante. Em momentos de fúria, causados pelos comentários inenarráveis de João César das Neves sobre o "novo muro da vergonha" de Israel, é em cada uma das sílabas de Rita que descanso por uns momentos e me sinto ganhar novos e melhores contornos de mim.

Israel ultrapassa largamente a nossa capacidade de racionalizar os problemas. Não que Israel seja algo de irracional. Nós é que nunca lá vivemos para poder racionalizar o que quer que seja sobre o que lá se passa, muito menos para falar em muros de vergonha...

desOrdem


Corre por aí que o Advogado de Bibi poderá vir a ser suspenso da Ordem dos Advogados. Não há como não soltar uma gargalhada com a mera possibilidade disso acontecer. Não que o Senhor Advogado não tenha tido participações e comentários infelizes, muitos deles denegrindo o sistema de justiça português. Mas a ser assim, o que está a fazer Pires de Lima (pai) na Ordem? Ou Serra Lopes, para quem todas as decisões de Rui Teixeira são ilegais e inconstitucionais? Pela mesma ordem de ideias, que não me atrevo sequer a defender de tão ridícula, não deveriam já estes Decanos ter sido alvo de processos disciplinares sucessivos? Já estou como o Liberdade de Expressão que estranha a selectividade de José Miguel Júdice.

7.11.03

Infame Greene


O Greene é a causa mais directa do título deste blogue e não só. É a causa mais directa das linhas que teimo em escrever, neste e outros suportes, com ou sem pretensões. Existem outras causas. Muitas outras. Mas nestas coisas de escolher só uma, acabo sempre por ficar com a que mais se mantém. É injusto para as que conheci agora e para as que virão. Mas é ao Greene que devo as linhas que escrevo.

A Coluna Infame primeiro, e os infames depois, cada um por si, são as razões mais directas para ter chegado a este suporte, contrariando todas as minhas incapacidades e azelhices.

Gosto de identificar as raízes, as causas, as razões. Não porque nada do que aqui se escreva possa comprometer outro que não eu. Apenas porque sim. E isso basta.

Burnt-Out Case


A verdadeira causa do nome deste blogue.

A mais antiga opressão


Diz o Pedro que a beleza carnal é a mais antiga das opressões. Será talvez das mais antigas, mas continuo a achar que mais antiga opressão, de todas as mais antigas, é o futuro. É curioso que considere o futuro como uma coisa do passado, mas é assim mesmo que o vejo.

A minha Porta


Fechou a porta e, como sempre, não quis saber do que ficou para trás. Agora era o azul. As outras cores viriam por acréscimo. Uma a uma. Passariam como as outras passaram. E as portas, todas diferentes numa só, seriam fechadas. Para sempre. Até à próxima porta.

I


Este é mais um blog. O meu blog. Serão os meus casos que pretenderei aqui ver arrumados. E será aqui que vou perceber que a desarrumação existe e é inevitável.